Tireoide e humor: qual é a relação?
Tireoide e humor: qual é a relação?
Introdução
A tireoide é uma das glândulas mais importantes do nosso corpo, responsável pela produção dos hormônios que regulam o metabolismo, o crescimento, o desenvolvimento e o funcionamento do sistema nervoso. Apesar de ser pequena, sua influência é enorme e ampla inclusive na regulação do nosso humor.
Alterações na função da tireoide, como o hipotireoidismo (produção insuficiente de hormônio) e o hipertireoidismo (produção excessiva), podem levar a uma série de sintomas que vão muito além dos tradicionais sinais físicos. Entre esses sintomas, destacam-se as mudanças no humor, que podem variar de depressão e apatia até ansiedade e irritabilidade.
Neste post, vamos explorar com profundidade a relação entre a tireoide e o humor, explicando o papel dos hormônios tireoidianos no funcionamento cerebral, as principais disfunções tireoidianas, seus efeitos psicológicos, os mecanismos envolvidos e os tratamentos disponíveis para restabelecer o equilíbrio hormonal e emocional.
A tireoide: anatomia e fisiologia
A tireoide é uma glândula em forma de borboleta localizada na parte anterior do pescoço, logo abaixo da laringe. É formada por dois lobos laterais conectados por uma ponte chamada istmo. Apesar de seu tamanho relativamente pequeno, pesa em torno de 20 a 30 gramas, a tireoide exerce um papel fundamental na regulação metabólica do organismo.
Hormônios produzidos pela tireoide
Os principais hormônios produzidos pela tireoide são:
Tiroxina (T4): forma predominante circulante, com baixa atividade biológica que serve principalmente como precursor do T3.
Triiodotironina (T3): forma ativa que regula a maioria das funções metabólicas.
Calcitonina: hormônio que participa na regulação do cálcio no sangue, embora seu papel não esteja diretamente relacionado ao humor.
A produção desses hormônios é controlada pela hipófise, que secreta o hormônio estimulante da tireoide (TSH). O TSH, por sua vez, é regulado pelo hipotálamo, através do hormônio liberador de tireotropina (TRH). Esse sistema de feedback mantém os níveis hormonais equilibrados.
Como os hormônios tireoidianos atuam no sistema nervoso?
Os hormônios tireoidianos atravessam a barreira hematoencefálica e atuam diretamente nas células do sistema nervoso central (SNC). Eles são essenciais para o desenvolvimento cerebral, especialmente durante a fase fetal e a infância, mas continuam influenciando o funcionamento do cérebro ao longo da vida.
Esses hormônios regulam a expressão de genes relacionados à mielinização, crescimento neuronal e sinaptogênese, além de modularem neurotransmissores como a serotonina, dopamina e noradrenalina, substâncias diretamente ligadas ao controle do humor, da motivação e da regulação emocional.
Hipotireoidismo: efeitos no humor e na cognição
O que é hipotireoidismo?
O hipotireoidismo ocorre quando a tireoide não produz hormônios em quantidade suficiente para atender às necessidades do organismo. As causas mais comuns incluem a tireoidite de Hashimoto (doença autoimune), deficiência de iodo, ou efeitos colaterais de medicamentos.
Sintomas físicos do hipotireoidismo
Fadiga intensa e sonolência
Ganho de peso
Sensação de frio constante
Pele seca e cabelos quebradiços
Prisão de ventre
Inchaço no rosto e extremidades
Alterações menstruais
Sintomas emocionais e cognitivos
Depressão e tristeza profunda
Apatia e perda de interesse em atividades antes prazerosas
Lentidão no raciocínio e dificuldade de concentração (popularmente chamada “névoa cerebral”)
Problemas de memória
Irritabilidade e aumento da sensibilidade emocional
Estudos e evidências
Estudos clínicos mostram que até 60% dos pacientes com hipotireoidismo apresentam sintomas depressivos, que muitas vezes melhoram com a reposição adequada de hormônios tireoidianos. Além disso, a lentidão mental e a dificuldade de concentração podem ser confundidas com demência em idosos, o que torna o diagnóstico precoce fundamental.
Leia também: Alimentação saudável no controle do colesterol e saúde cardíaca
Hipertireoidismo: ansiedade e agitação emocional
O que é hipertireoidismo?
O hipertireoidismo é caracterizado pela produção excessiva de hormônios tireoidianos. As causas mais comuns são a doença de Graves (autoimune), nódulos tireoidianos hiperfuncionantes e tireoidite subaguda.
Sintomas físicos do hipertireoidismo
Perda de peso mesmo com apetite aumentado
Taquicardia e palpitações
Tremores finos nas mãos
Sudorese excessiva
Intolerância ao calor
Fraqueza muscular
Sintomas emocionais e comportamentais
Ansiedade e sensação constante de nervosismo
Irritabilidade e explosões emocionais
Insônia e agitação
Dificuldade de concentração e hiperatividade mental
Em casos graves, podem ocorrer sintomas psicóticos como delírios
Pesquisas científicas
Estudos indicam que aproximadamente 25 a 30% dos pacientes com hipertireoidismo desenvolvem transtornos de ansiedade ou sintomas depressivos. O excesso de hormônios tireoidianos potencializa a liberação de neurotransmissores excitatórios, o que pode explicar a agitação e nervosismo.
Diagnóstico diferencial: tireoide x transtornos psiquiátricos
Muitos sintomas de disfunção tireoidiana se sobrepõem a transtornos psiquiátricos, como depressão maior e transtorno de ansiedade generalizada. Por isso, é crucial a realização de exames laboratoriais para avaliação da função tireoidiana em pacientes com sintomas psiquiátricos, especialmente se esses surgirem de forma súbita ou associada a sintomas físicos.
Impacto na qualidade de vida
As alterações hormonais tireoidianas causam um impacto significativo na qualidade de vida, interferindo em aspectos sociais, profissionais e familiares. Pessoas com disfunções tireoidianas frequentemente relatam dificuldade para manter a rotina, baixa produtividade e isolamento social.
Tratamentos e abordagens integradas
Tratamento do hipotireoidismo
A reposição hormonal com levotiroxina é o padrão-ouro, restaurando os níveis hormonais e promovendo melhora gradual dos sintomas físicos e emocionais.
Tratamento do hipertireoidismo
As opções incluem medicamentos antitireoidianos (como metimazol), terapia com iodo radioativo e cirurgia, dependendo da causa e gravidade.
Manejo dos sintomas emocionais
Em alguns casos, o tratamento medicamentoso com antidepressivos ou ansiolíticos é necessário, aliado a acompanhamento psicológico. Estratégias como terapia cognitivo-comportamental podem ajudar no manejo do estresse e ansiedade.
Conclusão
A tireoide exerce papel fundamental na regulação do humor e do funcionamento cerebral. Alterações em sua função podem desencadear sintomas emocionais que vão desde a depressão até a ansiedade, impactando profundamente a vida dos pacientes. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são essenciais para restaurar o equilíbrio hormonal e emocional, garantindo melhor qualidade de vida.
Artigos relacionados:
Canetas emagrecedoras: como preservar a massa muscular?
As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço no tratamento da obesidade por ajudarem a controlar o apetite e favorecerem a perda de peso. No entanto, durante o emagrecimento, o organismo pode perder não apenas gordura, mas também massa magra, que inclui músculos e outros tecidos.
Essa perda merece atenção porque a musculatura participa da força, da mobilidade, do equilíbrio e da realização das atividades diárias. Quando a redução de massa muscular é significativa, pode haver prejuízo à capacidade funcional, especialmente entre pessoas mais velhas.
A boa notícia é que alguns cuidados com a alimentação, a prática de exercícios e o acompanhamento de saúde podem ajudar a preservar os músculos durante o tratamento. O objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança, mas também favorecer a saúde e a qualidade de vida.
Por que as canetas emagrecedoras podem levar à perda de massa muscular?
Medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras incluem substâncias como semaglutida e tirzepatida, utilizadas em indicações clínicas específicas. Dependendo do medicamento, elas atuam em mecanismos relacionados à fome, à saciedade e ao controle da glicose.
Como podem reduzir o apetite, esses tratamentos também podem diminuir a quantidade de alimentos consumidos. Quando a ingestão de energia e nutrientes fica insuficiente, o organismo pode perder massa muscular durante o processo de emagrecimento.
Além disso, a perda de massa magra pode ocorrer em diferentes métodos de redução de peso, não sendo um efeito exclusivo desses medicamentos. A proporção de gordura e músculo perdida varia conforme fatores como composição corporal, idade, alimentação, nível de atividade física e velocidade do emagrecimento.
Por isso, o tratamento precisa considerar mais do que o peso corporal: preservar a força e a funcionalidade também é importante.
5 cuidados para preservar a massa muscular durante o emagrecimento
1. Consuma proteínas em quantidade adequada
As proteínas fornecem aminoácidos necessários para a manutenção e a recuperação dos músculos. Durante o emagrecimento, garantir uma ingestão adequada desse nutriente pode ajudar a reduzir o risco de perda muscular, especialmente quando associado à prática de exercícios de força.
Entre os alimentos que fornecem proteínas estão:
Ovos;
Peixes e frango;
Carnes;
Leite, iogurte e queijos;
Feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
Soja e derivados, como o tofu.
A quantidade ideal varia de acordo com idade, peso, estado nutricional, nível de atividade física e condições de saúde. Pessoas com doença renal ou outras condições clínicas podem precisar de orientações específicas.
Por isso, não existe uma meta única de proteína adequada para todas as pessoas. Um nutricionista pode avaliar as necessidades individuais e ajudar a distribuir as fontes proteicas ao longo do dia.
2. Evite comer menos do que o organismo precisa
Como esses medicamentos podem diminuir a fome, algumas pessoas passam a comer muito pouco ou deixam de fazer refeições importantes. Embora a redução da ingestão alimentar possa fazer parte do processo de emagrecimento, a restrição excessiva aumenta o risco de inadequação nutricional.
O ideal é priorizar refeições com boa densidade nutricional, que forneçam proteínas, vitaminas, minerais, fibras e energia em quantidades compatíveis com as necessidades individuais.
Mesmo quando o apetite está reduzido, vale conversar com o nutricionista sobre maneiras de organizar as refeições e escolher alimentos nutritivos em porções toleráveis.
Também é importante manter uma hidratação adequada. Náuseas, vômitos e diarreia, que podem ocorrer com alguns desses medicamentos, exigem atenção especial para evitar a desidratação.
3. Inclua exercícios de força na rotina
Exercícios de força, como musculação e atividades com resistência, estimulam os músculos e ajudam a preservar a força durante o emagrecimento.
A atividade deve ser adaptada à condição física e ao histórico de saúde de cada pessoa. Quem está começando pode precisar de exercícios mais leves, com progressão gradual, enquanto pessoas com limitações de mobilidade podem se beneficiar de um plano individualizado.
Além dos exercícios de força, atividades aeróbicas, como caminhadas, podem contribuir para a saúde cardiovascular e o condicionamento físico. A combinação das duas modalidades pode fazer parte de uma estratégia de cuidado mais abrangente.
Antes de iniciar ou aumentar a intensidade dos exercícios, especialmente em caso de doenças crônicas, dores ou limitações físicas, converse com um profissional de saúde e procure orientação de um profissional de educação física.
4. Acompanhe a evolução além do peso na balança
A perda de peso, isoladamente, não mostra quanto do peso perdido corresponde à gordura ou à massa magra. Por isso, dependendo do caso, o profissional de saúde pode acompanhar outras medidas, como força muscular, capacidade funcional e composição corporal.
A bioimpedância e a densitometria de corpo inteiro são exemplos de métodos que podem auxiliar na avaliação da composição corporal. A escolha depende da necessidade clínica, da disponibilidade e da interpretação profissional.
Também vale observar mudanças na rotina: dificuldade para levantar de uma cadeira, subir escadas, carregar objetos ou realizar tarefas antes habituais pode indicar perda de força e merece avaliação.
O acompanhamento periódico ajuda a identificar possíveis problemas e ajustar o plano de tratamento conforme a evolução de cada pessoa.
5. Não use suplementos ou altere a medicação por conta própria
A redução do apetite pode dificultar o consumo de determinados nutrientes. Entretanto, isso não significa que todas as pessoas que usam canetas emagrecedoras precisem de suplementos de proteínas, vitaminas ou minerais.
A suplementação deve ser avaliada individualmente, considerando a alimentação, os sintomas, os exames e as condições clínicas. O uso desnecessário pode não trazer benefícios e, em algumas situações, representar riscos.
Da mesma forma, não aumente, reduza ou interrompa a dose do medicamento por conta própria. Se houver dificuldade para se alimentar, fraqueza persistente, vômitos ou perda de peso muito rápida, procure o profissional responsável pelo tratamento para avaliar a situação.
Quais sinais podem indicar perda de massa muscular?
Algumas mudanças podem sugerir que a perda de peso está acompanhada de redução da força ou da funcionalidade. Entre elas estão:
Fraqueza que não era habitual;
Dificuldade crescente para realizar atividades cotidianas;
Redução da força ao levantar, caminhar ou carregar objetos;
Diminuição importante da capacidade de realizar exercícios;
Perda de peso acompanhada de alimentação muito restrita.
Esses sinais não confirmam, por si só, perda muscular. A avaliação profissional é importante para identificar a causa e determinar se são necessários ajustes na alimentação, nos exercícios ou no tratamento.
Em pessoas idosas, a atenção deve ser ainda maior, pois a redução da força e da massa muscular pode comprometer a autonomia e aumentar a vulnerabilidade a quedas.
O acompanhamento multidisciplinar faz diferença
O tratamento da obesidade envolve diferentes aspectos da saúde. O médico avalia a indicação do medicamento, acompanha os resultados e analisa possíveis efeitos adversos. O nutricionista orienta a alimentação e ajuda a adequar o consumo de energia e nutrientes. Já o profissional de educação física pode estruturar exercícios compatíveis com as condições e os objetivos da pessoa.
Essa atuação integrada permite considerar tanto a perda de gordura quanto a preservação da massa muscular, além de ajudar a identificar dificuldades durante o tratamento.
É importante lembrar que as canetas emagrecedoras são medicamentos e devem ser utilizadas com prescrição e acompanhamento médico. A escolha do tratamento depende da avaliação individual, e não apenas do desejo de emagrecer rapidamente.
Emagrecer com saúde também significa preservar os músculos
As canetas emagrecedoras podem fazer parte do tratamento da obesidade quando há indicação clínica, mas a redução de peso precisa ser acompanhada de cuidados com a nutrição, a atividade física e a saúde geral.
Consumir proteínas em quantidade adequada, evitar restrições alimentares excessivas, praticar exercícios de força e monitorar a evolução com profissionais são medidas que podem ajudar a preservar a musculatura.
Mais do que alcançar um determinado peso, o objetivo é melhorar a saúde e manter a força, a mobilidade e a autonomia ao longo do tempo.
Fontes:
Agência Brasil — Canetas emagrecedoras: uso sem supervisão pode causar perda muscular: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-08/canetas-emagrecedoras-uso-sem-supervisao-pode-causar-perda-muscular
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde — Canetas emagrecedoras: https://bvsms.saude.gov.br/canetas-emagrecedoras/
Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrepeso e Obesidade em Adultos: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/s/sobrepeso-e-obesidade-em-adultos/view
Ministério da Saúde — Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/publicacoes-para-promocao-a-saude/desmistificando_duvidas_sobre_alimentacao_nutricao.pdf/%40%40download/file
Cansaço constante pode ser um alerta para a saúde
Sentir cansaço depois de um dia intenso ou de uma noite mal dormida é comum. Porém, quando a falta de energia se torna frequente, não melhora com o descanso ou começa a atrapalhar as atividades diárias, vale prestar atenção.
O cansaço constante pode estar relacionado a hábitos de vida, estresse e alterações emocionais, mas também pode ser um sinal de condições que precisam de avaliação médica. Identificar a causa é importante para encontrar a abordagem adequada e evitar que o sintoma comprometa a qualidade de vida.
O que pode causar cansaço constante?
A sensação persistente de cansaço, também chamada de fadiga, pode ter diferentes origens. Por isso, é importante observar quando ela começou, com que frequência aparece e se vem acompanhada de outros sintomas. Entre as causas mais comuns estão:
1. Sono insuficiente ou de má qualidade
Dormir poucas horas ou ter um sono interrompido pode dificultar a recuperação física e mental. Mesmo quem passa bastante tempo na cama pode acordar cansado quando o descanso não é reparador.
Ronco intenso, despertares frequentes e sonolência durante o dia também merecem atenção, pois podem estar relacionados a distúrbios do sono, como a apneia.
2. Estresse e sobrecarga emocional
Períodos de pressão no trabalho, preocupações constantes e responsabilidades excessivas podem contribuir para a exaustão física e mental.
Quando o estresse relacionado ao trabalho se torna prolongado, acompanhado de esgotamento, dificuldade de concentração e alterações de humor, pode haver sinais de síndrome de burnout. A avaliação profissional ajuda a compreender o quadro e orientar o cuidado necessário.
3. Alimentação inadequada e pouca hidratação
Uma alimentação pouco variada, refeições insuficientes ou hidratação inadequada podem contribuir para a sensação de fraqueza e falta de disposição.
A deficiência de nutrientes, como o ferro, também pode provocar anemia, condição que reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio adequadamente. Nesse caso, o cansaço pode aparecer junto de palidez, falta de ar aos esforços, tontura ou palpitações.
4. Sedentarismo ou excesso de esforço físico
A falta de atividade física pode contribuir para a perda de condicionamento e aumentar a sensação de cansaço nas tarefas cotidianas. Por outro lado, exercícios intensos sem recuperação suficiente também podem provocar fadiga. Encontrar um equilíbrio entre movimento, descanso e capacidade física individual é importante para manter a disposição.
5. Alterações hormonais e doenças
Em alguns casos, o cansaço persistente pode estar associado a condições como:
Hipotireoidismo: quando a tireoide produz menos hormônios do que o necessário.
Diabetes: especialmente quando acompanhado de sede excessiva, aumento da frequência urinária e perda de peso sem explicação.
Anemia: que pode provocar fraqueza, palidez e falta de ar.
Depressão e ansiedade: que podem afetar a energia, o sono, a motivação e a concentração.
Infecções e outras doenças crônicas: que podem causar fadiga durante ou após o quadro clínico.
Essas condições não podem ser identificadas apenas pelo cansaço. A avaliação médica considera o conjunto de sintomas, o histórico de saúde e, quando necessário, exames complementares.
Como saber se o cansaço merece atenção?
Nem sempre é fácil diferenciar o cansaço esperado após uma rotina exigente de um sintoma que precisa ser investigado. Uma forma de observar a situação é perceber se o descanso costuma resolver o problema e se houve mudanças na disposição habitual. Alguns sinais merecem atenção especial:
Cansaço que persiste por semanas sem uma causa evidente.
Falta de energia mesmo depois de dormir bem.
Dificuldade para realizar tarefas habituais.
Sonolência excessiva durante o dia.
Alterações de peso ou apetite sem explicação.
Mudanças persistentes de humor ou concentração.
Fraqueza, tontura, palpitações ou falta de ar aos esforços.
A presença desses sinais não significa necessariamente que exista uma doença específica. No entanto, quando aparecem junto ao cansaço, ajudam o profissional de saúde a investigar possíveis causas.
Quando procurar um médico por causa do cansaço?
É recomendável procurar uma unidade de saúde quando o cansaço dura algumas semanas, não melhora com medidas simples ou interfere na rotina. Também é importante buscar avaliação quando ele surge acompanhado de outros sintomas, como perda de peso inexplicada, mudanças de humor ou alterações no sono.
Em uma consulta, o profissional pode perguntar sobre hábitos de sono, alimentação, rotina, saúde emocional e medicamentos utilizados. Dependendo da avaliação, pode solicitar exames para investigar condições como anemia, diabetes e alterações da tireoide.
Procure atendimento de emergência se o cansaço vier acompanhado de dor no peito, falta de ar intensa, desmaio, palpitações importantes ou sangramento incomum. Esses sinais podem indicar uma situação que exige avaliação imediata.
O que fazer para melhorar a disposição no dia a dia?
Para melhorar a disposição no dia a dia, mantenha uma rotina regular de sono, tenha uma alimentação equilibrada, beba água ao longo do dia e pratique atividades físicas respeitando seus limites. Também é importante reservar momentos para descanso e lazer, cuidar da saúde emocional e revisar os medicamentos com um profissional caso perceba cansaço após iniciar um tratamento. Se a fadiga persistir, procure avaliação médica para investigar possíveis causas.
Cansaço constante não deve ser ignorado
A falta de energia pode ter explicações simples, como noites mal dormidas e períodos de estresse. Entretanto, quando se torna persistente, interfere nas atividades diárias ou aparece com outros sintomas, merece atenção.
Observar os sinais do corpo e procurar avaliação profissional quando necessário são atitudes importantes para identificar a causa e receber o cuidado adequado. Em vez de tentar combater o cansaço apenas com café, suplementos ou estimulantes, o mais importante é entender por que ele está acontecendo.
Fontes:
NHS — Tiredness and fatigue: https://www.nhs.uk/symptoms/tiredness-and-fatigue/
Mayo Clinic — Fatigue: Causes and definition: https://www.mayoclinic.org/symptoms/fatigue/basics/causes/sym-20050894
Ministério da Saúde — Síndrome de Burnout: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sindrome-de-burnout
Ministério da Saúde — Depressão: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/depressao/depressao/
Trombose: fatores de risco, sintomas e como prevenir
A trombose acontece quando um coágulo sanguíneo se forma dentro de um vaso e dificulta ou bloqueia a circulação. A forma mais comum é a trombose venosa profunda (TVP), que geralmente afeta veias das pernas.
A condição pode ocorrer em diferentes situações, como após cirurgias ou períodos prolongados de imobilidade. Quando um coágulo se desprende e chega aos pulmões, pode provocar uma embolia pulmonar, uma complicação potencialmente grave.
Conhecer os fatores de risco, reconhecer os sinais de alerta e adotar medidas preventivas ajuda a reduzir os riscos e favorece a busca por atendimento no momento adequado.
Quais são os fatores de risco da trombose?
A trombose pode ocorrer por diferentes motivos. Alguns fatores aumentam a probabilidade de formação de coágulos, especialmente quando estão associados. Entre os principais estão:
- Imobilidade prolongada: permanecer sentado ou deitado por muito tempo, como durante internações ou viagens longas.
- Cirurgias e hospitalizações: especialmente quando há recuperação com mobilidade reduzida.
- Gravidez e pós-parto: alterações naturais do organismo aumentam a tendência à coagulação.
- Uso de hormônios: alguns anticoncepcionais e tratamentos hormonais podem elevar o risco.
- Câncer e determinadas doenças crônicas: algumas condições podem favorecer a formação de coágulos.
- Idade avançada, sobrepeso e obesidade: podem aumentar o risco, principalmente quando associados a outros fatores.
- Histórico pessoal ou familiar: ter tido trombose anteriormente ou apresentar predisposição hereditária pode elevar a probabilidade de novos episódios.
- Tabagismo: contribui para riscos cardiovasculares e pode agravar outros fatores associados.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá trombose. A avaliação do risco depende do conjunto de condições individuais.
Quais são os sintomas da trombose?
A trombose venosa profunda pode não provocar sintomas em algumas pessoas. Quando eles aparecem, os sinais mais comuns incluem:
- Inchaço, geralmente em uma das pernas.
- Dor ou sensibilidade, principalmente na panturrilha.
- Aumento da temperatura na região afetada.
- Vermelhidão ou alteração da coloração da pele.
- Sensação de rigidez ou desconforto muscular.
Esses sinais também podem ocorrer em outras condições, por isso não confirmam o diagnóstico sozinhos. Se houver suspeita de trombose, procure atendimento médico rapidamente.
Atenção: falta de ar súbita, dor no peito, tosse com sangue, tontura intensa ou desmaio podem indicar embolia pulmonar. Nesses casos, procure atendimento de emergência imediatamente.
Como prevenir a trombose?
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco.
1. Movimente-se regularmente
Evite permanecer sentado ou deitado por períodos prolongados sem necessidade. Durante viagens longas, quando possível, levante-se para caminhar e movimente os pés e as pernas enquanto estiver sentado. Após cirurgias ou internações, siga as orientações da equipe de saúde sobre quando e como retomar os movimentos.
2. Pratique atividade física
Caminhadas e outras atividades adequadas à condição física ajudam a manter a circulação e contribuem para a saúde geral. O importante é escolher uma prática segura e manter regularidade.
3. Mantenha hábitos saudáveis
Uma alimentação equilibrada, o controle do peso e a interrupção do tabagismo contribuem para a saúde vascular e para a redução de outros fatores de risco.
Manter uma boa hidratação também é importante, especialmente em situações de calor ou viagens. A quantidade de líquidos deve considerar as necessidades individuais e eventuais restrições médicas.
4. Converse com um profissional sobre medicamentos e fatores de risco
Se você já teve trombose, vai passar por uma cirurgia, está grávida ou utiliza medicamentos hormonais, converse com um profissional de saúde sobre as medidas preventivas adequadas.
Anticoagulantes e meias de compressão podem ser indicados em situações específicas, mas não devem ser utilizados por conta própria. A necessidade depende do risco individual e da avaliação clínica.
Como a trombose é diagnosticada e tratada?
O diagnóstico considera os sintomas, o histórico de saúde e a avaliação médica. Dependendo do caso, podem ser solicitados exames de sangue e ultrassonografia vascular, entre outros.
Quando confirmada, a trombose precisa de tratamento adequado para impedir o crescimento do coágulo, reduzir o risco de complicações e prevenir novos episódios. Os anticoagulantes são frequentemente utilizados, conforme a indicação médica.
Não tente tratar uma possível trombose em casa nem inicie medicamentos por conta própria. A avaliação rápida é importante para definir a conduta correta.
Informação e prevenção ajudam a proteger a saúde
A trombose pode afetar pessoas com diferentes perfis, mas conhecer os fatores de risco e reconhecer os sintomas ajuda a identificar situações que precisam de atenção.
Movimentar-se regularmente, manter hábitos saudáveis e buscar orientação antes de cirurgias ou tratamentos que aumentem o risco são medidas importantes. Diante de sinais suspeitos, procurar atendimento médico rapidamente pode fazer diferença na prevenção de complicações.
Fontes:
Ministério da Saúde — Trombose:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/trombose
Ministério da Saúde — Formas e causas da trombose:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/trombose/formas-e-causas
Ministério da Saúde — É possível prevenir a trombose?:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/trombose/mitos-e-verdades/e-possivel-prevenir-a-trombose
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde — Dia Nacional de Combate e Prevenção à Trombose 2026:
https://bvsms.saude.gov.br/16-9-dia-nacional-de-combate-e-prevencao-a-trombose-2026/
Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular — Diretrizes sobre trombose venosa profunda:
https://www.scielo.br/j/jvb/a/QrkKryFq4fDkCHZPLBbgpdJ/?lang=pt
Projeto busca aprimorar o atendimento a pessoas com câncer
Um projeto de lei em análise no Senado Federal busca aprimorar o atendimento às pessoas com câncer no Brasil. A proposta pretende facilitar o acesso ao diagnóstico, reduzir atrasos no início do tratamento e fortalecer o acompanhamento dos pacientes ao longo da jornada oncológica.
O Projeto de Lei (PL) 4.272/2021 altera a legislação que instituiu o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer, criado pela Lei nº 14.758/2023. O texto está em tramitação na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.
O que é a navegação do paciente com câncer?
A navegação do paciente é uma estratégia de acompanhamento individualizado que busca identificar e superar obstáculos que dificultam o acesso aos serviços de saúde. Na prática, esse acompanhamento pode ajudar a pessoa a passar pelas etapas de investigação da doença, confirmação do diagnóstico, definição do tratamento e continuidade dos cuidados.
As barreiras podem envolver dificuldades de acesso aos serviços, questões sociais e econômicas, falta de informação ou obstáculos logísticos. A proposta busca fortalecer ações para que esses fatores não atrasem o atendimento.
O que o projeto pretende melhorar?
Entre os principais pontos previstos estão:
- Capacitação dos profissionais de saúde: fortalecer o treinamento de equipes envolvidas no cuidado oncológico, especialmente profissionais de enfermagem.
- Busca ativa de pacientes: ampliar estratégias para identificar e acompanhar pessoas que precisam dar continuidade à investigação ou ao tratamento.
- Acesso mais rápido ao diagnóstico: reduzir obstáculos que podem atrasar a confirmação da doença.
- Atenção às populações vulneráveis: priorizar pessoas que enfrentam dificuldades de acesso, incluindo moradores de áreas remotas.
- Acompanhamento individualizado: favorecer a articulação entre profissionais e serviços de saúde durante as diferentes etapas do cuidado.
Essas medidas têm como objetivo tornar o atendimento mais integrado e reduzir as dificuldades enfrentadas por pacientes e familiares.
Por que o diagnóstico e o tratamento oportunos são importantes?
A identificação do câncer e o início do tratamento no momento adequado são etapas importantes da assistência oncológica. Atrasos podem dificultar a continuidade do cuidado e, dependendo do tipo de tumor e de suas características, comprometer as possibilidades de tratamento.
Por isso, a organização dos serviços, a comunicação entre as equipes e o acompanhamento dos pacientes são fundamentais para facilitar o acesso aos cuidados necessários. A navegação não substitui consultas, exames ou decisões médicas. Seu papel é ajudar a coordenar o percurso do paciente pela rede de saúde e identificar dificuldades que possam comprometer o atendimento.
Em que etapa está o projeto de lei?
Em outubro de 2026, o PL 4.272/2021 continua em tramitação no Senado. A proposta recebeu parecer favorável do relator, senador Wilder Morais, com apresentação de um texto substitutivo, mas sua análise na Comissão de Assuntos Sociais foi adiada em agosto.
Portanto, as mudanças propostas ainda dependem da continuidade do processo legislativo. O projeto não deve ser apresentado como uma lei já aprovada ou como uma alteração que esteja integralmente em vigor.
Avanços no cuidado oncológico dependem de acesso e acompanhamento
A proposta reforça a importância de um atendimento oncológico que considere não apenas o diagnóstico e o tratamento, mas também as dificuldades enfrentadas pelos pacientes durante esse percurso.
O fortalecimento da navegação pode contribuir para uma assistência mais coordenada, humanizada e acessível. Enquanto o projeto segue em tramitação, buscar os serviços de saúde e manter o acompanhamento profissional são medidas importantes para quem precisa investigar sintomas ou dar continuidade ao tratamento.
Fontes:
Senado Federal — Projeto de Lei nº 4.272/2021: tramitação e detalhes da proposta:
https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/167996
Medicina S/A — Projeto visa aprimorar o atendimento a pessoas com câncer:
https://medicinasa.com.br/cas-atendimento-cancer/
Senado Federal — Lei nº 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer e o Programa Nacional de Navegação:
https://legis.senado.leg.br/norma/37953903/publicacao/37956177